Cinco cidades do Vale aboliram a escravidão antes da assinatura da Lei Áurea

terça-feira, 13 de maio de 2014

Dia 13 de maio é comemorada a libertação dos escravos no Brasil, mas no Vale do Paraíba cinco cidades se anteciparam à data e emanciparam seus escravos antes desta data


Em Pindamonhangaba a libertação ocorreu 78 dias antes da assinatura da Lei Áurea, graças a um movimento liderado pelo fazendeiro, advogado, poeta e jornalista Dr. João Romeiro, que hoje dá o nome à Fundação que mantém o jornal Tribuna do Norte

Há controvérsias em relação ao dia correto, mas historiadores concordam que Redenção da Serra foi a primeira cidade do Vale do Paraíba a libertar os escravos, em fevereiro de 1888, três meses antes da Lei Áurea, assinada no dia 13 de maio daquele ano. Na entrada da nova cidade existe uma enorme estátua de um negro rompendo as correntes, simbolizando a data.
Documentos oficiais da Câmara da cidade dizem que a data correta é 10 de fevereiro, mas a historiadora Maria Helena Pereira Toledo Machado, da USP (Universidade de São Paulo), tem em mãos publicações que registram a libertação em 16 de fevereiro do mesmo ano.
Segundo os documentos da Câmara, um grupo de sete pessoas, entre elas fazendeiros e um major do Exército, se reuniu na fazenda Ponte Alta e assinou a declaração que libertou 414 escravos. Libertados, eles passaram a prestar serviços com contrato de trabalho.
O historiador José Luiz Pasin, ligado ao IEV (Instituto de Estudos Valeparaibanos), disse que, a exemplo de Redenção, outras duas cidades do Vale libertaram seus escravos quase na mesma época, entre elas São Luís do Paraitinga, Pindamonhangaba, Taubaté e Caçapava.
Pindamonhangaba tornou livres 3.705 negros cativos em 25 de fevereiro de 1888 graças ao movimento liderado pelo fazendeiro, escritor, advogado e poeta Dr. João Romeiro.  Taubaté libertou 4.537 em 4 de março.
Para a historiadora Maria Helena Pereira Toledo Machado, especialista em escravidão, a libertação em Redenção foi um reflexo de movimentos que já existiam na então Província de São Paulo.
"Desde 1885, os fazendeiros paulistas davam liberdade provisória para os escravos, pagando até mesmo pequenos salários para evitar a fuga dos negros." Segundo a historiadora, já não era economicamente viável manter os negros cativos.
O primeiro local do Brasil a libertar os escravos foi o Ceará, em 1884. Em São Paulo, a pioneira foi a cidade de Santos, três anos depois.

por João Paulo Ouverney 


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